O uso de corticoides sistêmicos na urticária crônica ainda é frequente na prática clínica, principalmente durante crises. No entanto, evidências científicas e diretrizes internacionais demonstram que o uso repetido ou prolongado de corticoides não é uma estratégia adequada para o controle da doença e pode trazer riscos significativos ao paciente.
Na urticária crônica espontânea (UCE), o tratamento deve ser direcionado ao controle sustentado da doença, e não apenas ao alívio temporário dos sintomas.
Corticoide na urticária crônica: qual é o problema?
Apesar do efeito anti-inflamatório rápido, o corticoide:
- Não atua no mecanismo fisiopatológico da urticária crônica, que envolve ativação mastocitária, liberação de histamina e, em muitos casos, componentes autoimunes
- Não promove controle duradouro dos sintomas, levando à recorrência após a suspensão
- Estimula o uso recorrente em crises, criando dependência terapêutica
- Retarda o escalonamento correto do tratamento, atrasando o uso de terapias baseadas em evidência
Esse cenário contribui para pior controle da doença e maior exposição do paciente a efeitos adversos.
Riscos do uso prolongado de corticoides na urticária
O uso repetido ou prolongado de corticoides sistêmicos está associado a um aumento significativo do risco de efeitos colaterais, incluindo:
- Hipertensão arterial
- Diabetes mellitus
- Dislipidemia
- Ganho de peso e obesidade
- Osteoporose e fraturas ósseas
- Catarata e glaucoma
- Supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
Esses efeitos tornam o corticoide uma opção desfavorável como estratégia de manutenção na urticária crônica.
O que dizem as diretrizes sobre corticoides na urticária crônica?
As diretrizes internacionais EAACI/GA²LEN/EDF/WAO são claras:
✔ O corticoide sistêmico pode ser utilizado apenas por curtos períodos, em exacerbações agudas e situações muito específicas
❌ Não deve ser utilizado como tratamento contínuo ou de manutenção na urticária crônica
A recomendação baseia-se no baixo benefício a longo prazo e no alto risco de eventos adversos.
Tratamento correto da urticária crônica: além do corticoide
O manejo adequado da urticária crônica deve seguir um escalonamento terapêutico baseado em evidências, incluindo:
🔹 Anti-histamínicos de segunda geração
- Uso regular
- Possibilidade de aumento progressivo da dose conforme diretrizes
🔹 Terapias-alvo
- Indicadas em pacientes refratários
- Atuam diretamente nos mecanismos da doença
- Promovem controle sustentado e melhora significativa da qualidade de vida
Essa abordagem reduz crises, evita o uso recorrente de corticoides e melhora a adesão ao tratamento.
Por que abandonar o corticoide muda o prognóstico do paciente?
A substituição do corticoide por um tratamento adequado permite:
- Melhor controle da urticária crônica
- Redução significativa das exacerbações
- Menor risco de efeitos adversos
- Seguimento terapêutico mais seguro e eficaz
- Melhora da qualidade de vida do paciente
Trata-se de uma mudança fundamental na prática clínica moderna.
Atualização científica e cuidado em rede: o papel da RUBRA
O manejo adequado da urticária crônica exige educação médica continuada, troca de experiências clínicas e acesso às evidências mais atuais.
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